Para os gigantes: A Sociedade Civil Organizada


* Carol Miskalo

O ano de 2009 entra para a história do país pela abertura dada pelo Governo Federal para se discutir como podemos fazer para democratizar os meios de comunicação. Em quase todos os estados, militantes da área de comunicação participaram de etapas municipais (ou regionais) e etapas estaduais para concretizar uma luta contra os grandes donos da mídia brasileira. Depois foram para a batalha.

E foi assim que aconteceu a CONFECOM (Conferência Nacional de Comunicação), de 14 e 18 de dezembro do falecido ano de 2009, em Brasília. O evento foi palco para discursos polidos dos nossos representantes com a participação entusiasmada da sociedade civil, que mostrou que não estava ali para jogar bola e depois comer pizza.

A abertura contou com participações importantes, como o vaiado ministro Hélio Costa, que teve que engolir a seco a insatisfação demonstrada pelos participantes que representavam entidades e movimentos sociais.

Ainda esteve presente o Sr. Saad, que teve um discurso neoliberal interrompido pelo grito de guerra: “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!”. E para finalizar os desastres ainda tivemos uma brilhante leitura do Sr. Presidente Luís Inácio Lula da Silva, que enaltecia a luta pela organização da conferência, mas se fez de despercebido quando questionado sobre as rádios comunitárias.

A briga entre crachás azuis (empresários), vermelhos (sociedade civil) e verdes (poder público) teve inicio na tarde seguinte quando os participantes foram divididos em GT´s (Grupo de Trabalho) para discutir e deliberar quais propostas seriam encaminhadas para a plenária final.

Grupos de trabalho
As discussões dos GT´s ocorreram em torno de três eixos temáticos “Produção de Conteúdo”, “Meios de distribuição” e “Cidadania: Direitos e Deveres”. Com um discurso conservador e autoritário os empresários estavam certos de que sairiam dali com muitas vitórias já que pagaram hora extra para que vários funcionários participassem da atividade e votassem no que favoreceria os grandes latifundiários da comunicação.

Questões como o controle público e social sobre os meios de comunicação, a abertura para a pluralidade de produção de empresas e entidades para ampliar e diversificar o mercado, as discussões sobre rádios e tevês comunitárias e a criminalização desses meios recheou o momento de luta.

Por Trás do Palco
Depois das vaias ao ministro Hélio Costa, algumas coisas ficaram mais visíveis ali. Enquanto nosso presidente lia um discurso sobre a importância da liberdade de expressão, e alguns militantes da ala esquerda da plenária pediam algumas explicações aos gritos, um senhor que estava filmando levantou-se para continuar a filmar. Foi quando o segurança aproximou-se e ordenou em tom mais que áspero que ele desligasse a filmadora…. Que liberdade em Mr. President!

E o Hip-Hop?
Tive a oportunidade de conhecer militantes do movimento hip-hop de algumas partes do Brasil. E quem acha que maloquero só usa a cabeça pra segurar o boné se deu mal.

O movimento hip-hop esteve bem representado com os manos DJ Branco (Estação Hip-Hop), Mano Paulo e Mina Fernanda de Salvador, Rogério Beiçudo e Nelson de Belo Horizonte, Mano Marcos de Aracajú, Alex Street do GNA (Grupo Nacional Armado) da grande São Paulo e não posso esquecer da participação do GOG.

Entre os intervalos os militantes conseguiram se organizar de forma a trocar endereços eletrônicos para que se possa estabelecer uma conexão entre os manos e as minas do país.
O mano Rogério, da Rádio Fala Favela, falou um pouco sobre a questão da inserção da mulher no movimento hip-hop e a divida que o homem possui com elas. “Machista? Não, não podemos ser! Não podemos excluir a mulher, não podemos deixar que ela se cale. O homem já explorou de mais, não só o corpo, a gente tem uma dívida histórica com as mulheres e temos que dar um jeito de pagar”.

E quando questionados sobre a CUFA, a má impressão é meio que geral. Em uma conversa o Mano Alex Street, esse afirmou que “começou com uma meta, começou a dar certo, mas acabou se tornando mais um manipuladinho da vida”.

Com uma visão otimista sobre a participação dos “locos” nas decisões, Alex ainda falou: “a periferia tá se organizando, os manos tão invadindo, mas de pouco em pouco a gente tá descobrindo que o poder não está só em letra, tá no pensamento também, essa porra é nossa e a gente tem que estar aqui”. E ainda manda um salve pros maloqueros da fronteira: “Aê Foz, manda na voz, cê ta ligado que é nóis o pesadelo do sistema o terror de vários algoz mano nunca duvide, direto de São Paulo Alex Street rimador maloquero sofredor lá em S.P. corintiano um beijo pras minas um abraço pros meus manos aê Foz é nóis que ta falô!”

Nesse clima de protesto e de luta tivemos mais uma etapa vencida. Mais uma de muitas outras que ainda estão por vir.

* Carol Miskalo é estudante de Letras, ativista cultural e militante do PCB.

Serviço
PCB Foz do Iguaçu
www.pcbparana.blogspot.com
E-mail: pcbparana@gmail.com

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