“O trabalhador está pagando a conta”, diz líder do MST

“A conseqüência da crise é o saque de recursos da nossa economia, de recursos naturais, dinheiro e riquezas. O trabalhador está pagando a conta”. A frase é Nildemar Silva, um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Oeste do Paraná, realizada durante a Conferência Municipal do PCB (Partido Comunista Brasileiro), no sábado passado, em Foz do Iguaçu.

Um exemplo do “pagamento” é visto no Rio Grande do Sul, onde 36 mil operários do setor siderúrgico foram demitidos em menos de seis meses. “É muita gente para uma única metrópole, a sétima do Brasil. Imagine, então, São Paulo quantas pessoas ganharam as contas”, provocou o sem-terra. “É uma situação insustentável. É uma crise do modelo econômico e de sociedade que não se sustenta mais”, disse o dirigente do MST.

Além de demissões, os donos do capital usurpam os trabalhadores de outras maneiras, como o corte de direitos e criação de mecanismos perversos aos trabalhadores, citou Nildemar. “O banco de horas é uma das formas de escravidão do trabalho. É pior que ficar no tronco sendo chicoteado. No tronco, você sabe que vai morrer, no banco de horas, você nem sabe quando vai morrer”.

Para piorar o cenário de crise, a classe trabalhadora está anestesiada, visto que alguns setores dos trabalhadores urbanos não se enxergam como classe. Esse falta de identidade dificulta a resistência à ofensiva dos patrões, completou Nildelmar. Simplesmente porque os trabalhadores hoje se vêem como empreendedores ou colaboradores, não mais como funcionários.

“Nós, como classe trabalhadora, precisamos construir uma unidade de luta no Brasil, aglutinando partidos de esquerda, movimentos populares, movimentos de esquerda, no sentido de construirmos uma proposta de sociedade. O nosso sonho é o socialismo. O socialismo é o nosso horizonte, mas como chegar até ele?. Precisamos construir essa plataforma, porque os trabalhadores não têm isso claro”, apontou.

E O MST COM ISSO? – Durante a conferência do PCB, Nildemar Silva aproveitou para esclarecer porque a área de atuação do MST está para além da reforma agrária. “Muita gente acha que devemos ficar restritos ao campo, porém, nós, militantes sociais, sabemos do nosso papel em ajudar na transformação, em fomentar o processo de luta e o debate, enfim, em organizar a classe trabalhadora”.

Criado em Cascavel, no Oeste do Paraná, o MST completa 25 anos em 2009. Hoje, sua luta não é apenas pela reforma agrária, mas sim a luta por mudanças sociais no País. O movimento busca construir um debate, inclusive, para refletir os caminhos do Brasil, que avança sobre a cultura e soberania de outros países, ganhando status de império diante de outras nações menores, discursou Nildemar.

“De antemão queremos dizer que somos contra a idéia de vender pele de frango na África como carne. Os africanos têm direito a comer carne saudável. Nós, aqui do Oeste do Paraná, estamos mandando pele de frango para lá como se fosse carne”, denunciou o dirigente do MST, ecoando a denúncia levantada na 8ª Jornada de Agroecologia, realizado no mês de maio, em Francisco Beltrão.

Conferência do PCB foi realizada no Sismufi no sábado, 5

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