O jovem não envelhece na cidade


* Eliandro Avancini

O jornalista Carlos Luz mantém em seu blog uma espécie de lembrete de crimes contra a vida de adolescentes, ocorridos em Foz do Iguaçu. O seu painel eletrônico está quase sempre desatualizado. A quantidade de jovens com idade entre 12 e 29 anos, mortos de forma violenta, é tão espantosa que os números do blog de Luz teriam de ser atualizados a cada 2,5 dias. Entre o dia 1º de janeiro até o dia 21 de dezembro de 2009, 227 jovens haviam morrido de forma violenta. E, desses, uma boa parte assassinada com armas de fogo. Algo muito próximo à barbárie. Com isso, Foz do Iguaçu ostenta o terceiro lugar entre as cidades mais violentas do país, em homicídios de jovens de12 a 29 anos, além de ocupar a primeira posição entre os municípios do Paraná.

Um estudo acadêmico observou o discurso da imprensa local com relação a mortes de jovens. A imprensa escrita trata estas tragédias apenas como números e estatísticas, sem qualquer reflexão sobre a gravidade do problema. Um jogo de futebol, por exemplo, recebe mais atenção que a morte de uma criança de 15 anos. Pior tratamento ao caso oferece o rádio e a tevê. As abordagens não passam do senso comum, criando uma amálgama muitas vezes “justificadora” dos crimes: “era marginal”, “tinha cinco passagens pela polícia”. Assim, se transfere uma sensação mais confortável para os setores de maior prestígio social, que tendem a enxergar a violência como um fenômeno das camadas populares.

Esta realidade deve preocupar a todos. É necessário se descobrir as causas deste processo que toma tantas vidas. Obviamente, o sistema econômico cruel como é o capitalismo é a resposta mais certa e lógica. Um levantamento feito com jovens cariocas apontou que a ascensão e reconhecimento social é o fator predominante para o envolvimento da juventude com a criminalidade. O fato é que não se pode enfrentar a violência que vitimiza a juventude sem ações capazes de oferecer a esta população espaços saudáveis para a prática da convivência social e comunitária, voltada para a tolerância, o respeito e a solidariedade.

Por sua geografia e peculiaridades, Foz do Iguaçu precisa de mais atenção do setor público, tanto municipal, quanto estadual. É preciso ir além das atuais políticas pífias, principalmente, nas áreas de cultura e esporte.

A juventude, com a sua criatividade, diversidade e ousadia precisa de canais que expressem toda a sua dimensão social. Caso contrário, prevalecerá a barbárie contida em cada jovem morto. Além é claro, do fato de que Carlos Luz terá mais dificuldades em continuar registrando a perda de vidas em seu blog.

* Eliandro Avancini é professor e militante do PCB – Texto publicado na revista Escrita, edição 10

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