Anita Prestes vem a Foz: a história em tempo real

PCB Paraná 13 de junho de 2013 Comentários

Historiadora estará na cidade nos dias 20 e 21 para debater Coluna Prestes, comunismo e lançar livro sobre Luiz Carlos Prestes

Cartaz Encontro com Anita Prestes em Foz

Cartaz Encontro com Anita Prestes em Foz

A historiadora Anita Leocádia Prestes, filha do revolucionário Luiz Carlos Prestes e da militante comunista alemã Olga Benário Prestes, estará em Foz do Iguaçu para debater as contradições dos sistemas políticos e quebrar o silêncio em torno de temas ligados à cidade. A professora participará de uma agenda de debates e palestras em espaços públicos nos dias 20 e 21 de junho.

A sua vinda trará ao cenário iguaçuense capítulos entrelaçados da história nacional e internacional, como a Coluna Prestes e a sua passagem por Foz do Iguaçu, a deportação de sua mãe para a Alemanha, a sua própria militância comunista, e a perseguição pelo regime militar brasileiro. Tudo isso acompanhado do lançamento de seu último livro: “Luiz Carlos Prestes: O combate por um partido revolucionário (1958 – 1990)”.

Para aprofundar a discussão sobre esses temas, Anita Prestes participará de três atividades na cidade: um debate aberto ao público em geral no Teatro Barracão no dia 20. Na manhã do dia seguinte, será promovida uma palestra no Colégio Estadual Barão do Rio Branco. À noite será realizado um debate na UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana).

Esses assuntos serão debatidos antes mesmo da chegada da professora à fronteira. Na quarta-feira, dia 19, na UNILA Centro, haverá a exibição de documentários seguida de debate com a presença de professores da universidade. O evento servirá de preparação para o encontro com a Anita Prestes. A entrada será gratuita.

Anita Prestes em Sarandi (PR).

Anita Prestes em Sarandi (PR).

A militante – Anita Leocádia Prestes é professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Hoje concentra suas atividades em pesquisas sobre a influência do pai na história do Brasil, sobre os comunistas no país e o PCB (Partido Comunista Brasileiro) – organização partidária mais antiga do país, com 91 anos de trajetória.

Relacionado a esses temas escreveu cerca de dez livros. Também preside o Instituto Luiz Carlos Prestes, cuja missão é preservar a memória do revolucionário que marcou profundamente a história do país no século passado. É reconhecida ainda por uma constante e polêmica produção intelectual, denunciando políticos e governos oportunistas.

A série de encontros com Anita Prestes em Foz do Iguaçu é uma realização da Casa da América Latina, com apoio da Guatá, Centro de Direitos Humanos, Casa do Teatro, Fundação Cultural, projetos de extensão Webrádio UNILA, CineDebate História e CineLatino, cursos de História e  de Ciência Política e Sociologia da UNILA, bem como do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Barão do Rio Branco.

Para o presidente da Casa da América Latina em Foz do Iguaçu, jornalista Alexandre Palmar, os encontros com Anita Prestes buscam contribuir com o debate sobre o “nosso município quase centenário”, bem como promover o internacionalismo entre os povos. “A historiadora tem posições firmes sobre temas polêmicos. A sua presença na cidade é uma oportunidade para entrar em contato direto com uma personagem que faz a ponte da história local com a nacional e a mundial.”

Prestes e seus comandados da Coluna, em 1927, na Bolívia. Foto: acervo Anita

Prestes e seus comandados da Coluna, em 1927, na Bolívia. Foto: acervo Anita

A marcha – Na década de 20, a Coluna Prestes reuniu um exército guerrilheiro de 1,5 mil homens e mulheres, comandados por uma dúzia de oficiais do Exército e da Força Pública de São Paulo, entre os quais se destacava Luiz Carlos Prestes. O movimento defendia o voto secreto e a moralização dos costumes políticos, corrompidos pelo domínio oligárquico em vigor durante a República Velha.

Alguns historiadores defendem que a coluna nasceu em Foz do Iguaçu. Outra linha de pesquisa aponta que a Coluna Prestes nasceu no Noroeste do Rio Grande do Sul no final de 1924 e que em abril de 1925, em Foz da Iguaçu, deu-se a incorporação dos rebeldes paulistas – derrotados em Catanduvas – ao movimento, que chegava vitorioso do Sul. A coluna percorreu 25 mil quilômetros através de 13 estados do Brasil, derrotando 18 generais governistas, sem jamais ter sido desbaratada.

Livro será lançado em Foz do Iguaçu

Livro será lançado em Foz do Iguaçu

O livro – “Luiz Carlos Prestes: O combate por um partido revolucionário (1958 – 1990)” dá prosseguimento às pesquisas sobre o papel do líder comunista na elaboração e na aplicação das políticas do PCB. Anita Leocádia Prestes apresenta os resultados da investigação histórica da atuação política de Prestes, a partir da aprovação da Declaração de Março de 1958, pelo Comitê Central do PCB, até o falecimento de seu pai, em 1990.

O leitor poderá acompanhar as vicissitudes enfrentadas pelo PCB, a partir da superação dos reflexos da crise desencadeada pela denúncia do chamado “stalinismo” no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, crise que abalou o movimento comunista internacional nos anos 1956/1957. Com Prestes ocupando o cargo de secretário-geral do PCB, a Declaração de Março de 1958 representou uma virada na política dos comunistas brasileiros.

Morta na câmara de gás de um campo de concentração

Morta na câmara de gás de um campo de concentração

Deportada grávida – Na década de 30, a judia Olga Benário Prestes foi deportada grávida para a Alemanha nazista durante o governo Getúlio Vargas. Anita nasceu em Berlim, numa prisão da Gestapo, em novembro de 1936. Na época, seu pai, o líder comunista Luiz Carlos Prestes, também estava preso numa cela solitária no Brasil.

A avó, Leocádia Prestes, iniciou então uma campanha internacional pela libertação dos presos políticos no Brasil, assim como da nora e da neta. Percorreu a Europa numa luta desesperada para salvar o filho, a nora e a neta. O resultado foi um movimento mundial de solidariedade. Pressionado, o regime nazista entregou Anita à avó em janeiro de 1938.

A menina nunca mais veria a mãe, morta quatro anos depois na câmara de gás de um campo de concentração. Em 1945, após o fim do Estado Novo, então aos nove anos, Anita chegou ao Brasil e pode, finalmente, conhecer o pai, libertado após nove anos de prisão. Mesma oportunidade não teve a avó Leocádia, que em 1943 faleceu no exílio.

ATIVIDADE PRÉVIA NA UNILA CENTRO
Dia 19/6 (quarta-feira)
Horário: 18h30
Entrada: gratuita
Exibição de documentários seguida de debate com a presença dos professores André Kaysel (Ciência Política e Sociologia), Rodrigo Bonciani (História), Luciano Wexell Severo (Ciências Econômicas) e Félix Pablo Friggeri (Relações Internacionais). Moderação: Gimena Machado (Webrádio Unila).

ENCONTROS COM ANITA PRESTES

Teatro Barracão, na Praça da Bíblia
Dia 20/6 (quinta-feira)
Horário: 19h30min
Entrada: gratuita

Colégio Barão do Rio Branco
Dia 21/6 (sexta-feira)
Horário: 8h20 às 10 horas
Atividade voltada aos alunos da escola

UNILA Centro
Dia 21/6 (sexta-feira)
Horário: 18h30
Entrada: gratuita
Abertura da mesa: reitor Helgio Trindade. Moderação: professores Ana Silvia Andreu da Fonseca e André Kaysel
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Guatá/Casa da América Latina