Fim do expediente?

Comunistas têm papel fundamental para resgate do verdadeiro sentido do 1º de Maio. Militantes do PCB contribuem para ações de  carácter classista e de protesto.

O Dia do Trabalhador foi festejado, trolado, descansado, almoçado, rezado, excomungado, mais um tanto de ados, mas, sobretudo, ignorado por muita gente em Foz do Iguaçu. Quem manda cair num domingo, tirando do calendário aquela folguinha extra que poderia ter ocorrido no meio da semana.

Essa pode ser a primeira impressão sobre a data na Terra das Cataratas, porém existem outros ados no pedaço. O 1º de Maio também foi panfletado, enfaixado, cantado, dançado, enfim, propagado de outra forma por pessoas quem insistem em fazer da data mais um momento para reflexão e protesto.

O trabalhador foi o protagonista de várias ações realizadas nos últimos dias, seja nas ruas, na sala escura ou na rede mundial de computadores. Sindicatos, movimentos sociais e culturais, cada qual do seu jeito, levantaram o debate sobre a classe trabalhadora (eita palavrão, mas só tem esse mesmo, a classe dos trabalhadores).

Pra começar, a discussão promovida pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular revelou o pânico do trabalho, um problema crescente e que tem lotado os consultórios. O grupo de trabalho mostrou casos, daqui do município, de pessoas doentes por causa do tipo de batente (repetitivo ou massacrante em busca de metas e resultados).

Já a arte cedeu espaço para centenas rirem da própria desgraça com o filme Buena Vida Delivery, exibido pela Casa da América Latina, Casa do Teatro e Guatá. A história de uns “los nadies” em busca de sobrevivência serviu de estopim para um debate sobre as alternativas para exploradores e explorados. Seria tudo uma questão de oportunidade? De nascer no lado certo do balcão?.

Sob o céu nebuloso, outros tantos mandaram seu recado distribuindo milhares de panfletos no centro e dos bairros, além de universidades e escolas. O manifesto resgatou uma indagação clássica da universal Mafalda: “Por que em vez de mudar as estruturas todos só ficam remendando as peças?“. Mensagem esta reforçada em faixas estiradas em diferentes cantos da terrinha.

Esse não foi o único alerta. Na internet, reflexões invadiram os sites e os blogs “sediados” em Foz do Iguaçu. A desqualificação do trabalho feminino no sistema capitalista, os trabalhadores do turismo, os trabalhadores na fronteira, os trabalhadores de cultura… Esses foram alguns dos temas abordados por professores, universitários, jornalistas…

Na Rua Rafael Casula, um palco para a união de desempregados, marginalizados e alguns empregados do bairro Cidade Nova, sindicalistas, acadêmicos da Unila e artistas. Pareceu ser unânime: abaixo o capitalismo! Um outro tipo de sociedade. Da música, da dança, do varal de protesto e da fala na latinha, o aviso final. “Hoje é dia trabaidô. Amanhã do trabaio. A luta continua”.

Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu e militante do PCB.
Texto publicado no site www.megafone.inf.br

Serviço
PCB Foz do Iguaçu
www.pcbparana.blogspot.com
E-mail: pcbparana@gmail.com

2 comentários em “Fim do expediente?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.